Uma preocupação recorrente quanto à expansão do prazo, por parte dos consumidores, é a qualidade da viagem com carros mais antigos (Foto: Fábio Lima/O POVO)
Uma preocupação recorrente quanto à expansão do prazo, por parte dos consumidores, é a qualidade da viagem com carros mais antigos (Foto: Fábio Lima/O POVO)

Motoristas de aplicativo de Fortaleza reivindicam extensão do prazo de idade veicular para circulação de carros. Este prazo diz respeito ao tempo mínimo de fabricação necessário para que determinados veículos sejam utilizados em corridas. Ele atualmente corresponde a oito anos a partir da fabricação. Categoria almeja expandi-lo para 10 anos. Projeto de Lei foi enviado pela Prefeitura à Câmara Municipal. O período de 10 anos vigora em capitais como Recife, Natal, Campina Grande e São Paulo.

Em entrevista à rádio O POVO CBN, o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Ceará (Amap), Rafael Keylon, esclarece que a categoria pede urgência na aprovação do projeto, pois, segundo ele, o aumento no prazo é esperado apenas para o próximo ano. Uma aprovação mais rápida poderia incluir mais motoristas, inclusive aqueles com carros fabricados em 2010, que teriam apenas sete meses de atuação com o novo prazo, caso esse entrasse em vigor apenas 2022.

Uma preocupação recorrente quanto à expansão do prazo, por parte dos consumidores, é a qualidade da viagem com carros mais antigos. Rafael tranquiliza os passageiros, destacando que todos os veículos passam por vistoria antes de ir às ruas. “Veículos com batidas frontais, rachaduras, vidros trincados, pneus e estepes carecas não passam na vistoria. Se o veículo está com selo da Etufor e foi vistoriado, pode ter certeza que ele está apto para lhe levar, tendo ele 10, oito ou dois anos”, argumenta.

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Caso seja aprovada pela Câmara, a extensão da idade veicular deve afetar de imediato motoristas da empresa Uber, que é a única atualmente regulamentada na Capital. Outras plataformas estão sob judice, como a 99, ou não-regulamentadas, como a InDriver. Rafael se preocupa com a adesão da Uber ao aumento do prazo, caso seja regulamentado. Ele aponta que a empresa não cumpre emendas já aprovadas, como exibição para os motoristas do destino de viagens e possibilidade de recurso em caso de bloqueios.

Ausência de reajuste dos motoristas da Uber há quatro anos também é um ponto criticado pelo presidente. “Toda categoria precisa de reajuste”, diz ele, destacando os aumentos ocorridos anualmente na inflação e no comércio. O POVO procurou a assessoria da Uber por telefone para comentar sobre os tópicos mencionados por Rafael, mas não obteve sucesso. Tentativa de contato por e-mail também foi efetuada e espera-se retorno.

“Espero mesmo que, [aprovada] essa lei, não seja pra categoria ouro de tolo. Que seja algo real, seja cumprida pelas empresas e pela Uber também. E que os vereadores unidos agora também se unam para fiscalizar as leis que eles mesmos aprovaram e não estão sendo cumpridas”, declara Rafael.

Segurança e retorno

O presidente da Amap lamenta a morte de colegas motoristas durante o ano passado. O caso mais recente aconteceu em dezembro. Neste ano, nenhum trabalhador da categoria faleceu, “por sorte e livramento de Deus”, diz Rafael. Ele lista que um motorista teve os pulmões atingidos por tiros, mas sobreviveu. Outros dois motoristas presenciaram passageiros sendo assassinados. Segundo Rafael, o protocolo da Uber de orientar passageiros a usar os bancos traseiros tem auxiliado a segurança dos profissionais.

Com a chegada de concorrentes, a empresa diminuiu os preços das viagens, impactando os valores repassados aos motoristas, acrescenta o presidente da Amap. Na pandemia, apesar da demanda menor por viagens, os motoristas economizaram com vidros baixados e ar-condicionado desligado, medida de proteção contra o coronavírus. “Aumento do combustível é que tem realmente sido o vilão, porque o desconto que o motorista ganhou por andar sem ar-condicionado foi perdido com esse aumento”, conclui Rafael Keylon.



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