Após um novo reajuste nos preços, visível desde a última segunda-feira (2), os condutores que utilizam o equipamento Gás Natural Veicular (GNV) em seus carros relataram que estão sentindo cada vez menos custo-benefício no serviço, que era considerado uma saída para os motoristas em razão dos altos preços dos combustíveis. De acordo com o anúncio da Petrobras, em relação ao último trimestre, a alta foi de 7%.

A estimativa nacional era de que o metro cúbico do gás natural veicular (GNV) subisse de R$ 3,99 para R$ 4,26. Chegando a R$ 4,39 na capital, os condutores que vivem de serviços de transporte são os que mais sentem os impactos do aumento. “Um absurdo sem limite. Nós sabemos que o gás é daqui. Era para eles facilitarem, pelo menos para a nossa classe, da bandeira dois, que estamos na rua, na batalha”, disse Sérgio dos Santos, taxista há 14 anos.

Já Charlton Ferreira, com 15 anos na profissão, destacou que os motoristas estão deixando de prestar os serviços devido à inviabilidade dos custos com o combustível. “Cheguei a recursar corridas, porque não compensa. A população não compreende, mas não tem condições. A gente que já tem assim no carro, usa para não perder o equipamento. Mas não está valendo a pena não você investir”, contou.

Segundo a Algás, distribuidora de gás natural de Alagoas, contratualmente, o custo de aquisição do gás é reajustado com base no preço internacional do Petróleo e no câmbio. A tarifa do gás natural praticada é composta basicamente por três componentes: custo de aquisição da Petrobras, margem de distribuição (parcela relativa aos serviços da Algás) e tributos. “Para o mês de agosto, a alteração da tarifa do gás natural foi motivada exclusivamente pelo reajuste do custo do gás em função do aumento da cotação internacional do petróleo”, informou a distribuidora em trecho de nota.

A Petrobras já elevou em 39% o valor do gás natural comercializado nas distribuidoras no dia 1º de maio, considerando os preços de petróleo e dólar no trimestre entre janeiro e março. Para o novo reajuste, o cálculo considerou como referência a cotação de abril, maio e junho. Durante esse período, o petróleo subiu 13% e o real valorizou aproximadamente 4% em relação ao dólar. Até chegar aos consumidores finais, os preços cobrados às distribuidoras nas refinarias da Petrobras são acrescidos de impostos, custos para a mistura obrigatória de biocombustíveis, margem de lucro de distribuidores e revendedoras e outros custos.

Para quem depende do equipamento para equilibrar as contas do mês, o novo aumento causa uma sensação de impotência. “Para onde você for, não tem solução. A gasolina é cara demais. A única opção que tinha era o gás natural e está ficando já o mesmo valor do álcool e da gasolina. Você fica sem saída”, desabafou Charlton.

Já Sérgio encontrou na negociação com o cliente uma possível saída. “Não entendem, acham que a gente está cobrando muito caro, mas, na realidade, se a gente não cobrar o que vale, o combustível já leva mais da metade. Quando entram as outras despesas, não vale a pena. O que era a opção mais barata agora é a única opção. Daqui a pouco será melhor usar o álcool”, concluiu.

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