Rio – Os preços dos combustíveis não dão trégua aos consumidores. Por conta dos constantes aumentos seguidos, os motoristas foram às ruas nesta quarta-feira, 4, para protestar contra os altos valores. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço da gasolina já chega a R$ 6,83 em postos da capital fluminense. Com a disparada nos preços, para dar uma aliviada no bolso, os motoristas precisam pesquisar na hora de encher o tanque.

De acordo com o último levantamento da ANP, feito na última semana de julho, o preço da gasosa nos postos varia entre R$ 5,89 a R$ 6,83, com média de R$ 6,29. Na relação dos postos pesquisados, o valor mais barato encontrado foi no Posto de Gasolina Querubim de Realengo, na Avenida Marechal Fontenelle, em Magalhães Bastos, enquanto o mais caro foi no Ventura Comércio e Serviços, na Avenida Luiz Carlos Prestes, na Barra da Tijuca.

Já em relação ao preço do GNV, a ANP destacou que no mesmo período o preço variava entre R$ 3,65 e R$ 3,99, com valor médio de R$ 3,84. O preço mais em conta encontrado foi na Esplanada de Bangu Posto de Gasolina, em Bangu, enquanto o mais caro Auto Posto de Serviços Rival de Guadalupe e Posto de Servico Camboata, em Guadalupe, e Piraquara Auto Posto Ltda, em Realengo.

Para o taxista Arlindo da Silva, de 62 anos, reclama o quanto o aumento consecutivo dos combustíveis tem afetado o trabalho e, consequentemente, a renda. “A gente roda e faz R$ 100 no dia, mas tem que botar R$ 70 de combustível. No final do dia não renda, não compensa. Já temos uma crise por conta da pandemia e o aumento do preço dos combustíveis só está gerando prejuízo para categoria”, afirma ele.

O consumidor Tairone Rodrigues, 46, critica o preço alto dos combustíveis que é cobrado no Estado do Rio. “O pobre não consegue ter um veículo para se locomover ou tentar o sustento da família. O nosso estado produz combustível e vende para os outros e mesmo assim aqui é mais caro hoje. Como isso é possível? A sensação que dá é de que parece que a cada manifestação, os políticos tem o interesse de aumentar ainda mais o preço do combustível”, indaga Tairone.

Como pesquisar preço

Muitos não sabem mas no site da ANP é possível verificar onde tem combustível mais barato. Para fazer a pesquisa de preços basta acessar a página o link preco.anp.gov.br. Ao clicar nesse endereço, do lado direito da tela aparecerá a opção para preenchimento por estado e município. Lá, é só clicar e depois selecionar Rio de Janeiro e o tipo de combustível (gasolina, etanol ou GNV).

Depois, irá aparecer um código e a pessoa deverá preencher os números e letras. Em seguida, os consumidores poderão encontrar, por exemplo, os preços e endereços dos postos pesquisados pela agência.

De acordo com Marlon Glaciano, especialista em finanças, uma outra dica é a mudança da gasolina para o GNV. Apesar do repasse aos postos de 3,33% com o alta de 7% anunciada pela Petrobras, o combustível é ainda melhor do que a gasosa. “A conversão é uma alternativa para ter um pouco de economia no bolso. Mas lembrando que há um custo para realizar essa troca”, afirma ele.

Além disso, há dicas pontuais evitar o uso do ar-condicionado, que costuma ser o grande vilão com aumento de 20%, freadas bruscas e não arrancar o carro para não gastar combustível além do necessário.

Impostos

Outra pauta levantada nesta quarta-feira por quem esteve na manifestação é em relação aos impostos cobrados em torno dos combustíveis. De acordo com o consultor tributário Francisco Arrighi, presidente da Fradema Consultores Tributários, o grande vilão do aumento do combustível é o ICMS, em que cada estado tem alíquotas diferenciadas.

“Quando observamos o preço do combustível saindo da distribuidora, da Petrobras, indo para as revendedoras e, depois, muitas vezes para os atravessadores, nós temos uma grande diferença de preço. Para comparar, no Rio de Janeiro, a Petrobras entrega este combustível para as distribuidoras ao preço de R$ 2,02 e ele chega no posto, no consumidor final, ao preço de R$ 6,3”, explica ele.

Em comparação com outro estado, por exemplo, o Maranhão, o preço da distribuidora sai por R$ 1,88 e é vendido no posto de gasolina a R$ 5,7. “Isso agrava e muito o preço no bolso do consumidor e, especialmente, nessas pessoas do transporte coletivo, do transporte de aplicativo, táxis, que vem agravando muito. É preciso uma alíquota única para todos os estados, para evitar primeiro essa diferença de preços e, evitar também, a figura do atravessador, que vem causando um grande problema no preço do combustível”, explica Francisco.

*Com colaboração do estagiário Gustavo Vicente 

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