Muitos usuários reclamam da demora das viagens e repentinos cancelamentos em Campo Grande.

Muitos usuários reclamam da demora das viagens e repentinos cancelamentos em Campo Grande. – (Foto: Reprodução)

Operando em Campo Grande desde 2016, o aplicativo Uber foi lançado com a “pompa” toda na capital de Mato Grosso do Sul. Centenas de pessoas encararam a novidade como uma alternativa para quem procurava conforto, em meio aos altos preços impostos pelo serviço de táxi. Porém, quase cinco após o lançamento a história mudou.

Muitos usuários reclamam da demora das viagens e repentinos cancelamentos em Campo Grande. Com o alto preço na gasolina e outras problemáticas envolvendo a plataforma, houve uma grande diminuição de motoristas evidenciando assim prejuízos aos passageiros, e claro, aos condutores do serviço.

Assim como outros profissionais da categoria, Victor Pires trabalha há um ano e três meses no ramo após ter perdido o antigo emprego devido à pandemia. Ele, que desistiu de operar com a Uber há dez meses, esclarece alguns fatores que justificam a baixa circulação de motoristas.

“A gente teve um aumento gigantesco com a gasolina, que para nós, motoristas de aplicativo, é o maior problema já que o combustível, seja gasolina ou etanol, é a base do nosso trabalho. Tiramos uma parte do dinheiro arrecadado no final do dia para abastecer, e ainda sim não é o suficiente porque houve um aumento no custo do trabalho que não foi acompanhado pelo preço das taxas das corridas pela Uber, prejudicando principalmente o serviço”, critica Victor.

A pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que, de 27 de junho a 03 de julho, o preço médio do litro da gasolina comum fechou em R$ 5,65, com variação de R$ 0,41. O levantamento foi feito em 42 postos de Campo Grande.

Segundo a APPLIC (Associação de Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motorista Autônomo de Mato Grosso do Sul) há aproximadamente 10 mil motoristas cadastrados por aplicativos na Capital. O presidente da instituição, Paulo Pinheiro, informa que a grande evasão dos condutores para outros aplicativos ou outros ramos profissionais se dá em razão de diversas dificuldades, “desde os valores das taxas que estão defasadas desde 2017, até locação de veículos, sendo o maior vilão, o preço dos combustíveis praticados em Campo Grande e em todo o Mato Grosso do Sul”.

Um auxiliar administrativo de uma empresa de locação, que preferiu não se identificar, expôs os problemas com a locação de carros pelos volantes de aplicativos. “No mercado em si já estamos enfrentando problemas com a falta de veículos. Muitas montadoras não estão enviando mais modelos pela carência de materiais e produtos para sua montagem. Junto a isso, além de não haver carros para corresponder a demanda, os motoristas não encaram no aluguel algo vantajoso com o aumento da gasolina. Temos pacotes exclusivos para esses profissionais, mas muitos reclamam ao arcar com a soma dos valores de locação e combustível, acabam ficando sem qualquer lucro significativo no final”, revela.

De acordo com Victor, motoristas recebem R$5 pela corrida mais barata enquanto o preço do litro da gasolina ultrapassa esse valor. “Isso não compensa e faz com que o motorista deixe de querer trabalhar como volante de aplicativo, escolhendo as corridas que sejam mais viáveis a ele”, explica.

Esse tipo de escolha é possível no momento, pois a Uber alterou as formas de distribuição de viagens, permitindo ao motorista checar não apenas o destino das corridas, mas também a estimativa de tempo de distância delas. “Você não pode mais fazer uma corrida que seja longa para buscar o passageiro pela quantidade de combustível gasto. Às vezes desiste de uma chamada simples para aceitar o dinâmico que é mais caro e, consequentemente, vai render mais. São tentativas de escape para o motorista se manter, mas que também afetou o serviço em si, como os passageiros, já que há reclamações sobre o tempo de espera entre 30 minutos e uma hora por um carro”, informa o motorista.

Victor também alega como toda essa problemática fica mais agravada pelas taxas cobradas pela Uber, sendo um dos motivos pelos quais ele, e outros colegas do ramo, “desistiram” da plataforma e migraram para outros aplicativos.

“A cobrança de taxas da Uber é o dobro comparada aos demais aplicativos como 99 e Indrive. Com todo esse gasto de locomoção, é melhor analisar entre os aplicativos que temos disponíveis qual consegue trazer mais benefícios e lucros sobre as viagens. Os condutores estão desesperados encontrando pequenos escapes para poder continuar trabalhando e receber qualquer tipo de renda na tentativa de pagar suas contas. Infelizmente as condições não estão fáceis para motoristas e clientes”, finaliza.

Procurada pela reportagem, a Uber não deu informações sobre a baixa demanda de motoristas. “Os usuários estão tendo de esperar mais tempo por um carro, e o motivo é que, especialmente nos horários de pico, há mais chamados do que parceiros dispostos a realizar viagens. A demanda alta significa que o app da Uber está tocando sem parar. Conforme o que os próprios motoristas parceiros nos relatam, essa é a uma situação que os deixa mais confortáveis para cancelar viagens (porque sabem que virão outras na sequência, possivelmente com ganhos maiores)”, diz a nota.

A empresa ainda explica que a adoção da medida envolvendo o preço dinâmico é uma forma de tentar melhorar a situação do motorista. “Entre as medidas que a Uber adota para tentar melhorar a experiência de todos estão o preço dinâmico e as promoções para motoristas parceiros. O preço dinâmico é um recurso muito útil porque, por um lado, faz alguns usuários adiarem as suas viagens à espera de um preço menor e, por outro lado, incentiva que mais motoristas parceiros se desloquem para atender uma determinada região. O preço dinâmico é temporário e, por isso, a dica para os usuários é esperar alguns minutos antes de voltar a verificar o novo preço da viagem no app, porque ele é atualizado constantemente”, informa.

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