Problemas como demora para encontrar motoristas para realizar viagens e cancelamentos após motoristas terem aceitado a corrida têm se tornado comum na capital amazonense

Desenvolvidos para trazer mais conforto e praticidade aos usuários ao oferecer formas alternativas de realizar viagens particulares, além de trazer mais fluidez à mobilidade urbana de Manaus, os aplicativos de mobilidade urbana como a Uber e 99 estão começando a despertar insatisfação em motoristas parceiros e em passageiros, fazendo com que muitos desistam de realizar corridas. 

Segundo relatos observados pela equipe de reportagem de A CRÍTICA, a cada dia aumenta o tempo de espera dos usuários para que os aplicativos encontrem um motorista disposto a realizar a viagem solicitada. Muitas vezes, quando estes se aproximam do local de embarque, acabam cancelando a viagem. Os usuários relatam ainda que a demora varia de 10 até 20 minutos esperando um carro aceitar a viagem, pois antes disso muitos motoristas rejeitam a viagem.

Para a estudante de odontologia, Ana Valéria Ferreira, a demora para aceitar viagens não é tão grande, mas a maioria dos motoristas cancelam após minutos sem sair do local.

“A demora para aceitar não é tão grande, vários aceitos mas a maioria cancela. Quando aceitam, geralmente o motorista está muito longe (uns 10 a 15 min de demora). Ele segue a rota até o meu encontro e depois de muito tempo cancelam, fazendo eu perder muito tempo nisso. Mesmo mandando mensagem, eles não dão retorno se vão realmente vir ou não”, relatou a estudante.

Ana Valéria acrescenta ainda que é muito comum isso acontecer em quase todas as solicitações de viagem da Uber.

“Teve dias que precisei pedir três vezes um Uber e em todas essas vezes houve cancelamentos no mesmo padrão. Aceitam, o motorista está muito longe, se aproximam do meu local, mas cancelam. Alguns chegam a ficar parados um bom tempo sem resposta nenhuma”, descreveu Ferreira.

Aumento de taxas e repressão de usuários

A equipe de reportagem de A CRÍTICA sondou alguns motoristas da Uber para ouvir o outro lado, muitos reclamaram que o aplicativo tem retirado um valor da viagem maior do que anteriormente. Ou seja, segundo os motoristas, a Uber tem retirado grande parte do preço da viagem final e que, por isso, recusam viagens curtas com valor baixo para não sair no prejuízo tendo em vista o preço da gasolina.

“Eu, por exemplo, não aceito viagens a menos de R$ 10 porque não compensa. Você vê o preço da gasolina beirando a R$ 6,00 e R$ 7,00. Não é vantajoso para mim pegar corridas curtas que, inclusive, são solicitadas muito distante de onde estou. Fora o fato também que a Uber já desconta muito do valor final que o passageiro paga”, relatou um motorista que não quis se identificar.

Este mesmo motorista afirmou ainda que muitas das vezes os usuários acabam reportando os cancelamentos de forma exagerada para o aplicativo.

“Já tive colegas que começaram a migrar para outros aplicativos justamente por conta do prejuízo que estamos tendo recentemente. Sei que estamos prestando serviços para os usuários que muitas vezes exageram nos xingamentos. Mas, também é olhar para o nosso lado. Não estamos recebendo o que merecemos de fato”, acrescentou o motorista.

Pronunciamento

Questionada pela A CRÍTICA, sobre quais os procedimentos que estão sendo tomados para resolver estes problemas, a Uber afirmou que por conta do avanço da imunização e reabertura das atividades comerciais, o aplicativo tem recebido um alto número de solicitações.

“Nesse sentido, os usuários estão tendo de esperar mais tempo por uma viagem porque, especialmente nos horários de pico, há mais chamados do que parceiros dispostos a realizar viagens. A demanda elevada significa que o app da Uber está tocando sem parar para os parceiros, situação em que eles relatam se sentirem mais confortáveis para recusar viagens, pois sabem que virão outros chamados na sequência, possivelmente com ganhos maiores”, informou em nota.

Com isso, a Uber ressaltou que os ganhos de quem dirige com o app da Uber têm sido os maiores desde o início do ano. Em Manaus, por exemplo, os parceiros que dirigiram por volta de 40 horas ganharam, em média, de R$ 1.270 a R$ 1.330 na semana. Em um mês, significa que os motoristas estão com média de ganhos superior aos rendimentos mensais de várias atividades no país, como fisioterapeutas, intérpretes, marceneiros ou corretores de seguros, por exemplo, de acordo com dados do site Trabalha Brasil, que compila essas informações.

“É importante lembrar que os ganhos dos parceiros da Uber são bem particulares, porque são muitas as variáveis em jogo, já que cada um escolhe como quer usar a plataforma. Por exemplo, como os parceiros da Uber são livres para decidir em quais dias e horários dirigir, quem dirige em dias e horários de maior movimento tem uma maior chance de ganhos por causa da demanda maior”, acrescentou.

Em relação à experiência dos usuários, entre as medidas que a empresa adotou para reduzir o tempo de espera estão o preço dinâmico e as promoções para motoristas parceiros. 

“O preço dinâmico é um recurso muito útil porque, por um lado, faz alguns usuários adiarem as suas viagens à espera de um preço menor e, por outro, incentiva que mais motoristas parceiros se desloquem para atender uma determinada região. O preço dinâmico é temporário e, por isso, a dica para os usuários é esperar alguns minutos antes de voltar a verificar o novo preço da viagem no app, porque ele é atualizado constantemente”, explicou a Uber.

Taxas 

A Uber esclarece ainda que não aumentou a taxa de serviço cobrada dos motoristas parceiros pela intermediação de viagens. No passado, a taxa da Uber era fixa em 25%. Desde 2018, ela se tornou variável e passou a fazer parte da estratégia da Uber em oferecer descontos para os usuários de modo a incentivar que eles façam viagens. 

“Há confusão entre os motoristas parceiros sobre o valor da taxa porque em algumas viagens ele pode aumentar enquanto, em outras, pode diminuir. É por isso que todos os motoristas parceiros ativos recebem toda semana, por email, um compilado sobre os seus ganhos. Nesse email, é possível conferir quanto ele pagou de taxa Uber naquela semana”, esclareceu.

A empresa informou também que em relação o preço dos combustíveis, foge ao controle da Uber, mas que entende a insatisfação dos motoristas parceiros.

“Entendemos a insatisfação e trabalhamos para ajudar os motoristas parceiros a reduzir gastos fixos. Por meio do nosso programa de vantagens para parceiros, o Uber Pro, buscamos parcerias como a da rede Ipiranga. Pagando com o app abastece-aí, o motorista parceiro da Uber tem direito a 4% de cashback sem que, para isso, precise gastar nenhum dos pontos do programa KM de Vantagens. Isso significa que, além de receber de volta parte do valor gasto, o parceiro ainda acumula mais pontos que pode usar, por exemplo, em trocas de óleo. Com o Uber Pro, os parceiros ainda têm acesso à Vale Saúde Sempre, que dá descontos na rede particular de saúde e na compra de remédios e também o Uber Chip, o pré-pago da Surf Telecom com preços especiais e que não desconta dados para navegação no Uber Driver, Waze e WhatsApp”, finalizou.

Procurada pela reportagem da A CRÍTICA, a empresa 99 também relatou que está trabalhando para equilibrar oferta e demanda com objetivo de facilitar o deslocamento de quem precisa sair de casa.

“A 99 segue comprometida em oferecer soluções de transporte que sejam acessíveis e seguras a passageiros e motoristas parceiros. Esclarece ainda que, de acordo com os Termos de Uso da 99, em casos de cancelamentos constantes ou atos discriminatórios, o motorista parceiro está sujeito a sanções que vão desde orientações educativas a bloqueio temporário ou definitivo do aplicativo”, afirmou em nota.

A empresa informa ainda, que possui o Guia da Comunidade, que orienta motoristas parceiros e passageiros sobre como agir e quais comportamentos não são aceitos, prezando pelo bom relacionamento entre as partes e o respeito mútuo.

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