Empresa Vai de Táxi vai aproveitar momento para fazer investimentos na plataforma. Foto: Diário do Transporte.

Levantamento da Vá de Táxi mostra que crescimento foi orgânico devido à qualidade dos serviços prestados por motoristas autônomos

JESSICA MARQUES

Ter a viagem cancelada várias vezes, esperar muito ou não simplesmente não conseguir se deslocar. Estes são os principais problemas enfrentados por passageiros que usam os aplicativos de transporte individual nos últimos meses.

Os desafios já estão gerando reflexos no mercado de transporte. Um levantamento da Vá de Táxi mostra que houve um aumento orgânico de 60% na demanda por táxis nas principais capitais do Brasil.

Este aumento pode estar associado à baixa qualidade dos serviços prestados por motoristas autônomos de aplicativos para transporte individual.

É o que avalia o diretor de Produto da Vá de Táxi, Fernando Chavarro. Segundo o executivo, o aumento do número de corridas se dá em parte pelo retorno do trânsito à sua normalidade mas, em parte, organicamente, pela migração de usuários de aplicativos de motoristas particulares para o táxi.

“Nosso crescimento tem sido em torno de 18% mês a mês nos últimos seis meses”, afirma Chavarro. De acordo com o diretor, 60% do crescimento orgânico pode ser atribuído à péssima qualidade do serviço prestado pelos aplicativos concorrentes. “Varia de cidade para cidade, mas nas grandes capitais, onde o volume de corridas é mais significativo, o percentual é este”, explica.

Embora as reclamações sejam variadas, a mais comum relatada por usuários que migraram para o serviço de táxi é o cancelamento de corridas. O cliente solicita um carro pelo aplicativo, o motorista confirma, mas cancela assim que aparece a possibilidade de pegar outra corrida de maior valor aumentando, desta forma, o tempo de espera do passageiro. “Parece que esses motoristas não são punidos por causa desses cancelamentos. Ou seja, esses aplicativos estão se esquecendo da experiência do usuário final, desrespeitado com esse comportamento”, comenta Chavarro.

O diretor ressalta que os motoristas de aplicativos só podem fazer corridas por meio das plataformas em que estão inscritos e que cobram em torno de 30% de taxas sobre o valor da corrida.

Por outro lado, os taxistas usam aplicativos como o Vá de Táxi de forma complementar, pois estão autorizados a transportar passageiros sem o uso do aplicativo.

Chavarro afirmou ainda que o custo para o taxista também é menor, pois neste caso a Vá de Táxi cobra até 15% de taxa. “É um percentual inicial que pode ser reduzido por conta de uma série de projetos de gamificação e de incentivos que visam chegarmos a taxas menores. Essas iniciativas variam de um mês para o outro”.

ESTRATÉGIA

Para explorar a “falha da concorrência”, a Vá de Táxi já criou uma estratégia e planeja investir mais em tecnologia e em produto para distribuir a frota de táxi de maneiras mais eficientes. A companhia conta hoje com 130 mil taxistas inscritos na plataforma, mais de 1 milhão de clientes pessoas físicas e 130 clientes corporativos.

Para Chavarro a tendência é de crescimento dos serviços prestados pelos taxistas. “Nós pensamos diferente. Acreditamos que quanto mais clientes satisfeitos, mais corridas vamos ter. E quanto mais corridas tivermos mais ganhos os taxistas vão receber. Um círculo virtuoso em que todos ficam satisfeitos”, avalia.

Fundado em 2013, o Vá de Táxi é o aplicativo que possibilita a chamada de táxis via smartphone. Em 2014, a Vá de Táxi recebeu investimentos da Incube, primeira venture builder do Brasil. Além de transporte de passageiros, a empresa oferece agora serviços de socorro veicular demandados por seguradoras como troca de pneus e recarga de baterias, entre outras ocorrências.

PREÇO DO COMBUSTÍVEL E ALTA DEMANDA

A justificativa da Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia) para os problemas recentes é que “o maior tempo de espera causado pelo aumento exponencial da demanda por corridas leva a um desequilíbrio temporário no mercado”.

Além disso, a associação de empresas de mobilidade por aplicativo, como Uber e 99, ressaltou que “os motoristas parceiros de aplicativos são profissionais independentes e, assim como os usuários, podem cancelar viagens quando julgarem necessário”.

Em geral, os motoristas afirmam que o preço dos combustíveis é um dos fatores que leva aos cancelamentos. Assim, o custo do combustível em corridas curtas não justificaria o trabalho.

EMPRESAS DE ÔNIBUS ACUMULAM PREJUÍZO DE R$ 14,2 BILHÕES

A crise no setor de transportes não afeta apenas o serviço de transporte individual de passageiros.

Segundo a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), reunidos no período de 16 março 2020 a 30 de abril de 2021, mostram um prejuízo acumulado das empresas em R$ 14,2 bilhões.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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